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21.5.04

Mil e várias desculpas...

 

Quero pedir desculpa a todos os ávidos visitantes do Pastilha-elástica que aqui têm aparecido e voltado sem ver nada de novo. É que a minha vida não é só isto (e ainda bem)...
Esta última semana foi desastrosa a nível de tempos menos ocupados (aqueles que escolho para escrever estas bacoradas) e por isso nada de novo surgiu.

Mas fica já prometido para estes dias o novo capítulo da nossa blogonovela e talvez algo mais...

Fiquem bem...

12.5.04

“Augustino Semente: a Blogonovela” ou
“One who seeds lots of winds, harvests lots of bad smells (Mexican novel format)”

 

CAPÍTULO II: Viagem ao centro da terra

Augustino Semente lembra-se, assim de repente, do seu pai... Não sabe muito bem porque estas lembranças lhe chegam à ideia, mas certamente que tem a ver com o cabo da vassoura que lhe acertou em cheio nas costas depois da D. Amélia, a senhoria que mora um andar acima, o ter apanhado a sair sorrateiramente do prédio. Não sacou o dinheiro da renda que o Augustino lhe deve, mas pelo menos uns momentos de satisfação.
Houve ainda uma troca de palavras que, no meio do carregado sotaque alentejano de Piçarra, não foram muito perceptíveis, mas pareciam rimar com ‘carrão’, ‘baralho’, ‘telha’, ‘luta’ e ‘salsicha’. A esta última, Augustino,

"Eu sô munto macho. Dos cabelos até às ünhas dos pés e más’ além"

(no caso dele, com unhas que já começam a encaracolar, e o além é mesmo a maior parte das unhas), faz uma cara um pouco feia (quer dizer, mais do que o habitual) e ainda pensou em ir pedir satisfações à amável senhora, mas a perguiça fê-lo desistir de subir os três andares. Isso e o facto dele saber que a senhoria provavelmente tem mais uma ou duas vassouras por ali.

Ainda com as costas a doer, saiu do prédio e virou à esquerda. Má escolha...

"Porra, camando do cão tinha mesmo de cagar aqui?"


Não é que Augustino não aprecie o esforço de uma boa defecção, mas que o esforço lhe apareça debaixo da sola da sapatinha não o entusiasma muito. Valhe-lhe o casaco que o senhor à espera do autocarro tem assente no banco e que se alonga até ao passeio. Nada melhor que uma boa impressão da sola da sapatilha...

E Augustino espera também pelo autocarro que viaja até ao centro de Piçarra. Ele até tem carro, um daqueles dois-cavalos com uns toques de tunning que o deixam num primor: especialmente a cor enferrujada das jantes especiais (especiais porque foram gamadas numa ocasião especial: a visita da anterior sogra (uma jóia de pessoa, mas ainda bem que aquele camião não tinha os travões afinados)). A pobre senhora teve de chamar um reboque para lhe transportar o carro para casa depois da visita, já que Augustino estava mesmo a precisar de umas quantas peças para o seu Semente-mobil. E para satisfazer as necessidades de um homem como Augustino não pode haver obstáculos.

E o porquê da viagem de autocarro (que por sinal já chegou... em Piçarra a pontualidade dos autocarros é notória)? Porque um autocarro, para Augustino, principalmente se for cheio, é sempre uma óptima oportunadade para

"Chega p’ra lá menina... C’o lecença... Oh menina, tire lá o seu cú da minha mão... E já agora, a sua mama d’ inha outra mão tambêm."

apreciar a beleza da anatomia urbana. E para além disso sempre é menos perigoso que tentar gamar gasolina. É que os preços não dão para a comprar.

E deixamos assim Augustino na sua viagem ao centro de Piçarra, quase ao bater das cinco da tarde...
Até um próximo episódio da nossa novela mexicana (dobrada em brasileiro).... sleep well, if you can.

11.5.04

Literatura: para uma mesa-de-cabeceira bem recheada...

 

E para que não venham aqui dizer que este blog não tem qualidade nenhuma, deixo aqui um conselho para um bom livro.

Quem não conhece Irvine Welsh?

Do autor de excelentes obras como Trainspotting, Ecstasy ou Glue, chega-nos agora Porno... Aconselho vivamente esta leitura de carácter bem educacional.

Um bom exemplo da boa pedagogia que se pode encontrar neste livro é a transcição que vos deixo...

"Ah need some fuckin Nurofen. Ah hope Kate gits back fae her ma's wi that greetin-faced bairn ay hers soon, cause a ride eywis helps, cuts oot aw the fuckin tension in the heid. Aye, whin ye shoot yir duff it's like gittin yir fuckin brain massaged. Ah cannae understand aw they cunts thit say, 'No the now, ah've goat a heidache,' like in they fuckin films n that. See, tae me, that's whin ye need a fuckin ride. If every cunt had a ride whin they had a heidache, thir widnae be as much fuckin trouble in the world."

6.5.04

Uma questão de palavras...

 

Engraçado.

Descobri hoje que Broche em alemão também se escreve Broche...

Agora fiquei curioso para saber como se escrevem os nomes de outras peças de joalharia, tipo anel ou pulseira...

“Augustino Semente: a Blogonovela” ou
“One who seeds lots of winds, harvests lots of bad smells (Mexican novel format)”

 

CAPÍTULO I: Um dia pela manhã

Augustino Semente, jovem, inteligente (quando comparado com galinhas), bem parecido (pelo menos parecido é, há quem digo que com o Manuel Luís Goucha se este tivesse mais uns 50 quilos), pratica desporto (normalmente corrida de fundo com um jipe da GNR atrás), gosta de dançar (bom, gostar não gosta, mas é a única maneira de chegar perto de bimbas suficientemente bêbadas para não fugirem), não bebe (nada que não tenha tido a possibilidade de fermentar), não fuma (enquanto dorme).

(N.E.: qualquer semelhaça entre a vida do nosso herói e uns anúncios que andaram a passar por aí não é pura coincidência, mas não havia volta a dar-lhe).

Augustino acorda... o relógio diz-lhe que são três e meia da tarde. Dirige-se à casa-de-banho, ainda com os olhos meio fechados (ontem teve uma pequena troca de palavras com um segurança de uma discoteca em que as mãos deste teimaram em fazer contacto com a cara de Augustino... as costelas também não estão muito bem).

‘Sai, sai tóro dum cabrão...uuuuuuummmmmmmmmmmmmm.... Sai.... nã m’arranhes.... AHHAHHAHHH... Tá todo cá fora...’

Depois do primeiro esforço matinal que lhe traz recordações de visitas anteriores ao McDonalds, começa a sua higiene diária (que Augustino leva muito a sério) por catar mais uns chatos que ainda pululam por ali depois de, há umas noites atrás, ter prestado visita a um bar com umas brasileiras muito prestáveis mas onde as bebidas eram mesmo muito muito caras (também estranhou um sinal na porta do bar, "Mães de Bragança" com uma cruz vermelha por cima, mas achou que devia ser uma qualquer forma de calão da moda).
E a higiene continua com a troca da roupa anterior (troca a que tem por uma da semana passada,

‘Só esta manchita amarela à frente aguenta-se bem’,

que encontrou por acaso meio escondida no quarto entre um molho de latas de cerveja vazias e uma poça de vómito que, pelo aspecto dos pedaços, deve ter sido largada depois do jantar de ovos com salsichas de há três dias atrás).
Puxa as calças (pelo menos uns quatro números acima) e veste a camisa havaiana. Sapatilhas desapertadas, quatro fios amarelos ao pescoço (ele pensou serem ouro quando os fanou há duas semanas). Depois de uma cheiradela rápida aos sovacos,

‘Epá, epá,.... calma...., segura-tà cadêra ca tontura já passa’,

resolve espalhar umas gotas de perfume "Tipo Hugo Boss" que comprou a um marroquino,

‘Tenh’a sensação qu’ já vi este tipo a vender frôres por aqui’,

no mês passado.
Sem mais demora sai porta fora sem fazer muito barulho para a D.Amélia, a senhoria que mora um piso acima, não lhe vir pedir os dois meses de renda que deve desde o ano passado... e os outros desde aí.

E deixamos assim o nosso herói, ansiando saber que mais aventuras o esperam nessa grande cidade de Piçarra, em pleno coração Alentejano.

Criatividade a quanto obrigas...

 

Acho que falta algo ao panorama cultural nacional...
Talvez um novo Ministro da Cultura, mas isso não é para aqui (pelo menos para já).

E para colmatar essa falha, resolvi trazer até vós aquilo que de melhor se produz no nosso país, e que, devido à necessidade das televisões se financiarem através de publicidade (que ocupa quase toda a grelha de programação), ainda não encontrou espaço na caixa mágica de Portugal: Uma BLOGONOVELA.

Acho que o conceito não é novo, mas é assim com quase tudo o que se faz a nível de entretenimento ("Inspector Max", ah ah ah)...

É com grande prazer que vos deixo com o novo líder de audiências... as histórias de Augustino Semente.

4.5.04

SERÁ?!?

 

Tenho a sensação que depois de ontem me anda a cair mais cabelo que o habitual....

3.5.04

ASSALTO COM TESOURA

 

Pois é. Esta manhã foi um placo de aventura para mim. Sim, FUI ASSALTADO e ainda por cima, da forma mais consciente possível. Mas a história começa...

INTRODUÇÃO

Para quem ainda não sabe, por razões profissionais, encontro-me a viver fora do país há já 7 meses e por um período que se prolongará até cerca de 3 anos. E nada mais do que na magnífica terra da cerveja, tipas de 1,90m e 2h30 de comboio até Amesterdão: Alemanha.
Como qualquer pessoa, de vez em quando sinto certas necessidades a virem ao de cima e no caso de hoje foi a necessidade de cortar uns 4 meses de cabelo, depois de olhar para o espelho a seguir a uma noite mal dormida.

DESENVOLVIMENTO

Nada melhor para resolver o meu problema do que ir a procura de um sítio onde este tipo de serviços seja prestado. Entrei no primeiro que vi na zona onde moro: "Henry's Haarsalon".Como não conhecia nenhum e este tipo de necessidades ainda se me não tinha atormentado por aqui, este parecia-me tão bom como outro qualquer.
A primeira dificuldade apareceu quando uma senhora (1,80m de altura e outro tanto de largura) me perguntou o que queria eu. Aí fiquei com a sensação que num salão de cabeleireiro se devem fazer mais coisas do que cortar cabelo. Olha o que é que eu quero... talvez cortar o cabelo não? Problema maior foi dizer-lhe isto no meu alemão gestual (sim, porque eu falo bem alemão por gestos).
Depois de entendidos ela pediu-me para esperar um pouco e ofereceu-me um capuccino.
Neste ponto começou-me a doer a carteira: o Sô Zé lá da terra, quando eu ia ao seu estabelecimento nunca me ofereceu um café, e por 5€ tinha o serviço feito. Procurei rapidamente um preçário pendurado em algum lado com a esperança de que, caso os números fossem muito elevados, arranjasse a desculpa que sim, só ali tinha ido mesmo para beber café e a história do cabelo tinha sido um mal entendido (cabelo?!? ah não, deve ter percebido mal, sabe como é com o meu alemão), mas para meu infortúnio não vi nenhum.
Chegou a minha vez e lá vou eu até a cadeira. Ok, e agora, como é que eu digo como quero o cabelo? Ela, num súbito momento de sensibilidade perante a minha dificuldade, trouxe-me um molho de revistas e foi folheando até ELA encontrar um que LHE pareceu que me ficava bem. E aí começa ela com tesoura aqui, tesoura ali, sempre ignorando as minhas dicas de mais curto ou mais comprido, porque essa treta do cliente ter sempre razão é história.
E mais corta aqui e corta ali, mede aqui e ali do outro lado e tal... 40 minuto nisto para meu completo desespero.
O Sô Zé lá da terra nunca demorava mais do que 10 minutos e isto num dia lento, e por 5€ tinha o serviço feito.
OK, chegou a hora de conhecer o tal Henry. Neste ponto já eu estava quase a suplicar para ela me deixar ir embora quando aparece o Henry, um daqueles panascas estériotipados de cabeleireiro, com o seu cabelo (ou o resto dele porque a careca não dá para mais) apanhado num carrapito irritante e um mapa (ou lá o que era aquilo) desenhado na barba, e começa a dar as suas dicas: oh não, está com muito volume aqui, precisa de um cortezinho ali, enquanto já pegava na sua tesourinha.
Volume?!? Cortezinho?!? O Sô Zé lá da terra nunca falou nessas paneleiradas, e por 5€ tinha o serviço feito.
O toque final veio quando eu já estava pronto a confessar ser eu o assassino do Kennedy se ele me deixasse ir embora: saca de uma latinha e, sem eu ter tempo de me desviar, espalha-me uma langonha verde na cabeça que parecia ter sido especturada por alguém já morto há uns dias.
E pronto, no final de mais umas mexidelas pude sair da cadeira e dirigi-me a registadora depois de ter olhado pela última vez para o espelho e ter visto a bela cagada a que dantes chamava cabelo. Resultado: larga 18€ e volte para a próxima. Acho que nunca me senti tão roubado, e da forma mais legal possível.

CONCLUSÃO

E agora acho que vou ver se encontro um marroquino por aqui que me venda uma máquina de cortar cabelo por 5€...
É que 18€ o Sô Zé lá da terra nunca me pediu. Por 5€ tinha o serviço feito.

BLOGUISTA?!? EU?!?

 

E depois de três posts aqui no "pastilha elástica" a palavra começou a espalhar-se e foi com algum espanto que hoje tinha um email de um amigo que começava nestes termos:
"Então pá, mas tu agora também és bloguista?"
Depois do choque inicial resolvi voltar atrás e ler melhor...
(alívio)...
Eu bem que sabia que não havia assim tantas razões para ele me insultar.
"É um G pá, é um G. Acalma-te...", pensei eu.
É que de repente pensei que aquele G era outra letra, e já me estava a ver incluído nesse grupinho de gente que quer ser radical mas não sabe bem como (sim, eles ainda andam aí), e então surge com umas ideias que nem ao russo mais vermelho lembravam...
Claro está que tb já estava a imaginar a PJ (não sei bem o que eles chamam a esse tipo de polícia por aqui) a bater-me à porta por suspeita de consumo de drogas em elevadas quantidades...

Meus amigos, há que ter cuidado com a maneira como se começam os emails ok?
E o email dele continuava a querer saber quantas alemãs já tinha engatado, mas isso são outras histórias...

2.5.04

MENDIGOS DA PORRA - Vol 2

 

Só um pequeno update ao último post...

Hoje passei pelo mesmo sítio do costume no caminho para o local de trabalho (sim, é verdade, de vez em quando é preciso ir trabalhar ao Domingo) e deparei com o já habitual mendigo na esquina entre as duas paragens...
Mas, (R)EVOLUÇÃO: o filho da puta hoje, talvez por ser Domingo, já nem sentado no chão estava. Arranjou um sofá velhito e lá estava ele com o seu cigarro e o seu meio litro de cerveja a fazer sombra ao copo onde espera ele que alguém coloque umas moeditas.

Portanto, mudei de opinião sobre ele: Passei a chamar-lhe Sr. Filho da Puta e parei de desejar que alguém por engano lhe espete com uma biqueira de bota na boca.
Por outro lado, deixei de chamar generosos a quem lá deixa cair moeda e passei a chamar-lhes estúpidos, e acho que no próximo Domingo vou eu para lá ver quanto é que tiro a passar o dia todo sentado ao sol a beber a minha cervejita.

30.4.04

MENDIGOS DA PORRA

 

Vou começar por falar num pequeno grande assunto que me atormenta alguns momentos das manhãs, nomeadamente na minha passagem de um autocarro para um eléctrico, a caminho do trabalho. Lá numa pequena esquina entre as duas paragens, e mesmo em frente a um quiosque, há sempre um mendigo deitado no chão (como tantos outros por aí). Não sei bem o porquê de lhe chamar mendigo, já que normalmente os mendigos ainda se dignam a pedir esmola. Este (ainda não sei bem se é este ou estes porque debaixo de tanto sarro, barba e cabelo não consigo perceber se é sempre o mesmo sujeito ou não) nem a pedir esmola perde tempo. A imagem é esta: deitado ou encostado a parede, óculos escuros, cigarro na boca, meio litro de cerveja lá ao lado e um copo com uns trocos no fundo que dão a entender que alguém que passe pode ali depositar a sua generosidade. A minha pergunta é esta: MAS QUE MERDA É ESTA?!? Vive-se bem por ali não?
Há uns que ainda vociferam uns grunhidos meio enevoados pelo vinho, mas este (estes) é que nem por isso... limitam-se a esperar que as moedas lá caiam... Será que nunca ninguém mais descuidado lhes espetou com um pé na boca? Acho que alguém deveria... cambada de parasitas... Será que se a vontade fosse alguma estes cabrões não arranjavam um trabalho qualquer? É que quando eu abro o jornal, a maior secção de classificados é a de oferta de empregos...

28.4.04

PASTILHA ELÁSTICA...

 

Pois é... Se aqui vieste parar foi sorte minha porque não acho que por aqui se aprenda nem apreenda grande coisa.
O Pastilha elástica surgiu com a ideia de trazer à tona algumas das opiniões sobre todas as pastilhas elásticas que temos que roer no quotidiano.

Eu sei que o título do blog não é original mas o que por aí existe (existia?) com o mesmo título já não é actualizado há tanto tempo que não me pareceu assim um assalto tão grande... e para além disso, eu sou mesmo viciado em pastilhas elásticas. Que me perdoe o dono do título, mas foi só por acaso, e depois de ter criado este sítio, que encontrei o "outro". De qualquer forma pode-se sempre negociar...

Agora que começaste a ler, vai voltando aqui de vez em quando... pode ser que haja coisas novas.


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